“Escrever textos, apenas pretexto, para confessar ao mundo o que não consigo contar aos amigos.”

(Cristina Lira)
image

Paginas

26.6.12

Sobre Avisos

Em tempos de temporal, observar o mar 
entrar e navegar
ou
esperar




Tudo desmorona e eu permaneço calma. Observo o chão ruir ao meus pés, mil pedaços. Penso em você. Essa noite sonhei que procurava o número do seu telefone e não encontrava. O encontro marcado que não poderia confirmar. Combinamos o lugar e agora não saberia dizer onde. Quando perceber minha ausência então você fará essa ligação ou voltará.
Tudo é calma, nunca me senti assim antes diante de uma tempestade iminente. Será certeza, confiança de que tudo acabará bem? Não, sei que tudo vai acabar e mesmo assim permaneço calma. Talvez por que preveja e destruição fora, dentro tem algo muito sólido, que me sustenta.
Observo, apenas observo-me. Atenção extrema as minhas emoções. A falta ou não que você faz, a minha capacidade de ser alegre na sua ausência, emoção que sinto quando olho em teus olhos. Os outros, os rostos, os jeitos, os cheiros, os tipos, todo gesto fica em evidência.
Nunca entreguei assim a vida nas mãos do destino, até por que sempre desconfiei que a crença no destino nada mais é do que passividade disfarçada, desejo de não se comprometer, de fazer escolhas. Ação ou omissão, palavra ou silêncio são formas de escolher.
Mas agora essa minha total ausência de vontade de controlar. Eu que sempre levei a vida com a mão firme, solto na corrente os processos da vida, que sejam. 
Assisto as cenas e sei que poderia reverter, conduzir, encaminhar para o resultado que quero e no entanto não o faço! Não levanto a mão para conter a pedra que rola e ameaça desmoronar toda a estrutura. Estou espantada comigo, apenas deixo o barco correr. 
Não vou interferir nos sentimentos de ninguém, sem obrigações ou insistências, eu quero o desejo puro. Sem avanços ou recuos, sem forçar ou desistir, do amor quero a dança. 
É como colocar a mesa do café enquanto, por trás dos meus ombros, orquestra-se a tempestade. É como preparar a casa e sentar para ler o jornal aguardando a destruição que se avizinha. E eu não tenho mais medo.
Trata-se do meu desejo agora. Estou profundamente ligada ao meu desejo. Uma vida inteira de controle e agora eu só quero estar mergulhada no que sou e no que sinto.
Estar perto de ti, tem me levado a estar muito próxima de mim. Se fora ameaça desabar, dentro sou solidez. Sinto a vida se expandindo e estou curiosa para ver no que vai dar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Papear é bom... Chá,palavras e teclado